O que as empresas mais querem ver no portfólio?

Para um portfólio bacana, deve-se atentar que menos é mais. Então, dar preferência aos trabalhos que tenham qualidade e que tenham a ver com a empresa que procura é muito mais importante do que inserir tudo o que você já fez.

A arquitetura é uma área que se desenvolve junto a diagramação e identidade visual, disciplinas intimamente ligadas ao design gráfico. Então, buscar conhecimento em outras áreas, como o cinema, publicidade, arte, torna-se fundamental para enriquecer seu portfólio. Um livro de referência legal para ler é o “Designer para quem não é designer”, muito indicado para criativos que ainda estão começando na carreira.

Os tipos de trabalho que irão aparecer na sua cartilha podem ser variados, mas sempre deve-se focar a atenção na área especial de interesse, portanto, se você está mais ligado a projetos comerciais, poderá dar ênfase aos trabalhos relacionados a esse assunto e dedicar seu portfólio a esse assunto. Isso não quer dizer que você não possa colocar outras coisas interessantes que faz, como fotografar, desenhar, escrever. Isso também vale muito para conhecer melhor seu trabalho.

Para arquitetos e estagiários que estão buscando algo na área de projeto, poderão inserir em seu portfólio também desenhos técnicos. Grande parte dos escritórios dão valor a construção do desenho para a obra, algo que está no dia-a-dia do profissional que trabalha com projetos executivos.

Além de desenhos, maquetes eletrônicas também estão presentes na apresentação de projetos. Aprender a modelar e renderizar imagens podem ter um impacto grande no portfólio, contudo não adianta se tornar um operador de software nesse caso, saber “ver” arquitetura através das suas várias possibilidades de representação é que é fundamental. O mesmo acontece nas formas como apresenta seus trabalhos e compõe o seu portfólio, saber sintetizar e representar é algo muito, muito valorizado.

Itens que valem a pena observar:

  • Linguagem clara e direta;
  • Desenhos sintéticos e representativos, nada de prancha A0 reescalada para A4;
  • Cuidado com os excessos, o que precisa estar evidente são os trabalhos, não o projeto gráfico;
  • Seu portfólio precisa contar a sua história e evidenciar os seus interesses e potenciais;
  • Cada trabalho também precisa contar a sua história e evidenciar o seu partido;
  • Os trabalhos precisam estar coerentes com a sua conduta profissional, então coloque aquilo que mais representa como você pensa e gostaria de atuar profissionalmente, não adianta fazer um portfólio gigante, isso pode demonstrar falta de síntese.

Disponha o seu portfólio em alguma plataforma web, procure não enviar por e-mail, pois geralmente os arquivos ficam muito grandes e podem ser ignorados para arquivamento nos escritórios e empresas, além de sempre conseguir mantê-lo atualizado e disponível para novas consultas. Há muitas plataformas que oferecem gratuitamente a hospedagem de portfólios em seus planos básicos, o que já é suficiente para apresentar os seus trabalhos. Assim basta um bom e-mail convidando o recrutador a visitar a sua página na web.

Alguns sites para buscar referências podem estar nos seus favoritos do navegador pessoal para conferir todos os dias. Um ótimo site que pode enriquecer o repertório de profissionais da área criativa é o Pinterest. Lá você pode criar vários painéis de diferentes assuntos, e para cada painel, pinar as imagens e links mais interessantes. Assim, você cria um grande catálogo de referências e pode acessá-lo de qualquer lugar.

Para ver mais dicas de como montar o portfolio, vale clicar no archdaily e ver o que Gabriel Kogan escreveu nas 12 dicas para quem está montando o portfolio. Embora não concordar com todas as opiniões, principalmente sobre a manutenção de um portfólio web, vale a pena conhecer mais pontos de vista.

Esse outro link do blog da Marina Araújo, contém alguns portfólios bem apresentados, vale a pena conferir: “5 Portfólios Inspiradores de Arquitetura!“.

Lembre-se que o seu portfólio é seu primeiro contato, portanto seja caprichoso, seja minucioso e estabeleça uma “conversa” a distância com quem irá lhe conhecer!


Omar Dalank

Fundador da Beoog. Arquiteto desde 1997, técnico em construção civil desde 1992 e professor na Escola da Cidade desde 2003, trabalha com arquitetura e urbanismo em suas várias complexidades e escalas desde os 16 anos de idade, tempo de atuação e variedade de programas que lhe permitiu acumular grande experiência e domínio nos vários aspectos que envolvem o desenvolvimento em arquitetura. Entende que a percepção de mundo do sujeito é tão importante quanto o objeto construído, afinal é no espaço entre as coisas que vivemos, e é nessa construção daquilo que nos rodeia que dedica a sua vida profissional.

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